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Acupuntura na reabilitação pós-cirurgica da mama?

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  • Autor: Carmo Gallo Netto

A pesquisa é inédita e não encontra paralelo na literatura especializada. Sabe-se que mulheres com câncer de mama e submetidas à retirada do seio - total (mastectomia radical) ou parcial (quadrantectomia com esvaziamento axilar) - podem apresentar inchaço e diminuição da amplitude de movimentos no membro superior que fica ao lado da cirurgia. As técnicas de tratamento tradicionalmente utilizadas promovem resultados pouco relevantes nos casos mais severos. Diante desta constatação, a fisioterapeuta Michele Elisabete Rubio Alem decidiu avaliar, nessas pacientes, os resultados da milenar acupuntura, buscando a reabilitação da função motora, diminuição do inchaço (linfedema) e melhora na qualidade de vida - sono, atividades do dia-a-dia, sensação de peso e repuxamento do braço. Esta pesquisa deu origem à tese de doutorado orientada pela professora Maria Salete Costa Gurgel e apresentada no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

Durante seis meses, 29 mulheres que passaram por intervenção cirúrgica se submeteram a 24 sessões semanais de acupuntura, cada sessão com 30 minutos de permanência das agulhas. São pacientes atendidas pela Rede Feminina Sãocarlense de Combate ao Câncer e Rede Rioclarence de Combate ao Câncer Carmem Prudente. Em avaliações prévias, determinou-se a extensão do linfedema através da cirtometria (medida da circunferência do braço) e a restrição da amplitude dos movimentos utilizando-se a goniometria (medida da extensão do movimento). Tais avaliações foram repetidas nos finais do primeiro, terceiro e sexto meses de tratamento. Por meio de questionário aplicado no início e no término das sessões de acupuntura, a pesquisadora avaliou ainda o impacto do tratamento sobre a qualidade de vida do grupo de mulheres.

Na opinião de Michele Alem, as conclusões não poderiam ser mais animadoras. "Constatamos melhoras significativas no grau de linfedema, na amplitude dos movimentos de flexão e abdução do ombro no decorrer do tratamento, e em todos os aspectos gerais (sensação de bem-estar, impacto da cirurgia sobre a vida, sono, atividades de vida diária, sensação de peso e repuxamento) ao final dos seis meses. Os resultados mostram a eficiência da acupuntura em todos os paramentos avaliados e credenciam esta técnica como alternativa terapêutica para a reabilitação pós-cirúrgica do câncer de mama", afirma.

As vantagens

A fisioterapeuta conta que sempre se motivou a auxiliar essas pacientes por constatar as dificuldades que elas enfrentam. Segundo ela, o inchaço e dificuldade de articulação do braço homolateral à cirurgia, muitas vezes, impedem movimentos simples mas fundamentais como os de pentear os cabelos, cruzar os braços ou segurar uma xícara. Há pacientes que mesmo sem inchaço apresentam restrições severas de movimento. Estas seqüelas estão ligadas à retirada de linfonodos e à própria cirurgia, pois o sistema linfático é responsável pela defesa imunológica e pela drenagem que garante a circulação dos líquidos pelo corpo.

"As restrições não são irreversíveis, mas de difícil tratamento por meio de técnicas convencionais enquadradas no que se denomina "complexo descongestivo fisioterápico", que envolve massagem (drenagem linfática manual), exercícios, auto-massagem, enfaixamento e cuidados com o braço. Isto porque qualquer machucado, mesmo que resultante da retirada de uma cutícula, pode levar ao inchaço", explica Michele Alem. Ela considera o tratamento convencional desgastante porque após a massagem para a drenagem local, o braço é enfaixado, o que restringe os movimentos e impede a realização de várias atividades diárias.

A fisioterapeuta admite que ao recorrer à acupuntura, por presumi-la mais rápida e mais cômoda, teve que partir do zero, pois na literatura não havia nada que sugerisse caminhos ou antevisse resultados. Assumiu o risco, juntamente com seu professor de acupuntura, que a ajudou a selecionar os pontos teoricamente mais indicados e que possibilitassem certo conforto às pacientes, visto que nem todas poderiam ficar em decúbito dorsal. Michele Alem observa que a cirurgia da mama também pode deixar seqüelas emocionais, já que o braço inchado e a dificuldade de movimentação fazem com que a mulher se lembre a todo o momento de que teve câncer. A retirada total ou parcial de um seio, um símbolo da feminilidade, afeta ainda a sexualidade, havendo relatos de pacientes que recuperaram o desejo sexual ao longo do tratamento com acupuntura.

No início do trabalho prático, as redes do câncer de São Carlos e Rio Claro enfrentaram dificuldades para conseguir o número necessário de pacientes, já que a pesquisa se concentrou apenas em mulheres submetidas à cirurgia unilateral e que não estivessem passando por tratamentos. No entanto, os resultados com as primeiras mulheres foram tão significativos que elas mesmas, face à melhora evidente, fizeram um alvoroço nas duas cidades, despertando o interesse de emissoras locais de televisão. Com a divulgação do trabalho, houve imediato aumento na procura pelo tratamento, informa Michele Alem.

Fonte: Por Carmo Gallo Netto para o Jornal da Unicamp

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