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Apesar de raro, câncer de mama masculino também pode ser fatal: Derruba a gente, diz paciente

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30/10/2018

 

Apenas 1%. Este é o total de homens acometidos pelo câncer de mama no Brasil em relação às mulheres. A incidência masculina é tão rara e pouco frequente que, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), não entra nas estimativas. Para o aposentado Darcy de Moraes Camargo, diagnosticado com a doença no início deste ano, é como "ganhar na loteria", só que ao contrário.

Os primeiros sinais do câncer surgiram entre março e abril. O sorocabano percebeu que a mama direita estava crescendo e ficava cada vez mais dolorida. Decidiu conversar com a esposa, que marcou uma consulta com uma mastologista. Em seguida, foi realizada uma bateria de exames, uma biópsia e, pouco tempo depois, veio o diagnóstico.

"Quando descobrimos, ainda estava no início, mas eu nunca esperei que isso fosse acontecer comigo, foi um choque. A médica disse que era mais fácil ganhar na loteria", lembra o aposentado, de 67 anos.

De acordo com a mastologista, ginecologista e obstetra Potyra Labonia Matiello, de 41 anos, o diagnóstico do câncer de mama masculino é feito da mesma maneira que o feminino: com mamografia, ultrassom e biópsia.

A diferença é que, como os homens têm menos tecido mamário, o nódulo geralmente é mais facilmente palpável e mais próximo do mamilo. Já nas mulheres, o nódulo pode não ser palpável dependendo da localização na mama, quando está profundo ou quando é menor que 1,5 cm.

Entre os principais sintomas estão saída de secreção, vermelhidão e retração da pele do mamilo e ao redor dele. "Não podemos dizer que a doença é melhor ou pior na mulher do que no homem, pois a evolução depende do tipo de câncer e do estágio no momento do diagnóstico", explica a médica.

Chances de cura

O tratamento da doença inclui a mastectomia (cirurgia de retirada da mama), quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.

Darcy passou pelo procedimento cirúrgico no dia 15 de junho e, após o desaparecimento do tumor, foi submetido a 12 sessões de quimioterapia - a última foi realizada, com sucesso, nesta segunda-feira (29).

"Eu fazia a quimioterapia às segundas-feiras, mas ficava 'quebrado' até quinta-feira. O tratamento derruba a gente", conta o idoso, que mora com a esposa Adalgiza e tem cinco filhos.

Mesmo após o tratamento, explica Potyra, o paciente deve continuar fazendo visitas frequentes ao médico para acompanhamento de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.

"O câncer de mama, seja no homem ou na mulher, tem melhor evolução quanto antes for feito o diagnóstico e conforme o tipo do câncer."

Um em 100

Segundo a médica, a chance de um homem ter câncer de mama é uma em cada 100 casos. "As mulheres têm mais tecido mamário e condições hormonais que podem favorecer o aparecimento da doença", esclarece.

Em 2016, de acordo com dados do Inca, 16.254 pessoas morreram em decorrência de câncer de mama no país, sendo 16.069 mulheres e apenas 185 homens. Só no Estado de São Paulo foram 4.119 mulheres mortas e 30 homens.

A estimativa do instituto para o biênio 2018/2019 é de que sejam registrados 59.700 novos casos da doença em mulheres por ano, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.

No Estado de São Paulo, a estimativa é de 16.340 novos casos de câncer de mama feminino para cada ano do biênio. Como a incidência de câncer de mama em homens é baixa, a doença não entra na estimativa.

Fatores de risco

A mastologista explica que o câncer de mama masculino pode ser prevenido com hábitos de vida saudáveis que ajudem a diminuir os fatores de risco. Os principais são controle do peso corporal e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

A idade é um importante fator para os homens, pois o risco da doença aumenta com o envelhecimento. Segundo Potyra, geralmente o diagnóstico é feito por volta dos 72 anos.

Além disso, um em cada cinco homens que tiveram câncer de mama têm parentes próximos, homens ou mulheres, que também sofreram com a doença. Existe ainda uma síndrome congênita em homens, chamada Síndrome de Kleinefelter, que aumenta o risco de 20 a 60 vezes.

"Tratamentos de radioterapia no tórax, ingestão de álcool, doenças hepáticas, tratamentos com estrogênios e condições testiculares também são fatores de risco. Homens obesos têm maior risco, porque o tecido adiposo é capaz de converter hormônios masculinos em femininos", completa a médica.

Fonte: G1 Sorocaba e Jundiaí

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