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Obesidade aumenta risco de câncer no pâncreas, segundo pesquisa

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02/04/2019

 

Aumentou a lista dos tipos de câncer associados à obesidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tumores de mama, endométrio, rim, fígado, próstata, bexiga, esôfago e colorretais têm relação com o excesso de peso. Agora, um estudo apresentado no Encontro Anual da Sociedade Norte-Americana de Pesquisa em Câncer (AACR), em Atlanta, inclui o de pâncreas entre aqueles cujo risco é aumentado pelo índice de massa corporal elevado.

No Brasil, o câncer pancreático é responsável por cerca de 2% dos tumores oncológicos e 4% das mortes associadas, diz o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Globalmente, o índice é 3% e, embora a prevalência seja baixa, a doença é preocupante porque, difícil de diagnosticar precocemente, acaba sendo bastante letal, com taxa de sobrevivência de cinco anos após a descoberta de apenas 8,5%. “Desde o início dos anos 2000, o câncer pancreático vem aumentando, embora o principal fator de risco, o tabagismo, esteja caindo. Isso nos deixou intrigados”, afirma Eric J. Jacobs, principal autor do estudo e diretor científico de pesquisa epidemiológica da AACR.

De acordo com ele, nos Estados Unidos, são esperados 46 mil óbitos pela doença em 2019. O país vem passando por uma epidemia de obesidade desde a década de 1980, mas estudos anteriores sugeriam que o excesso de peso era um componente irrelevante, aumentando relativamente pouco o risco. “Por esses estudos, a influência da obesidade não seria suficiente para explicar completamente os aumentos recentes nas taxas de câncer de pâncreas”, diz Jacobs. Porém, ele afirma que a maior parte desses trabalhos baseavam-se no peso registrado em idades mais avançadas, o que geralmente só reflete a gordura corporal acumulada mais tarde na vida, sem influenciar tanto o risco de um tumor. Agora, os pesquisadores investigaram se a obesidade no início da idade adulta poderia ter uma associação mais forte com a probabilidade de se desenvolver a doença.

IMC

Para isso, a equipe avaliou dados de 963.317 adultos sem histórico de câncer que participaram do Estudo de Prevenção II da AACR, uma pesquisa nacional de mortalidade por doenças oncológicas que começou nos Estados Unidos em 1982 e acompanhou os participantes até 2014. Todas as pessoas incluídas reportaram o peso e a altura no início do estudo, quando alguns estavam com cerca de 30 anos, enquanto outros se encontravam nas faixas dos 70 e 80. Com essa informação na mão, foi possível calcular o índice de massa corporal de cada um. O IMC é a divisão do peso pela altura elevada ao quadrado e, dependendo do resultado, indica se o peso está abaixo do normal, adequado, acima do ideal ou se há obesidade.

Durante o acompanhamento, 8.354 participantes morreram de câncer pancreático. Como o esperado, quanto maior o IMC, maior o risco de óbito pela doença, sendo que um índice elevado em idades menos avançadas foi ainda mais associado com as mortes. Um aumento de cinco unidades de IMC — cerca de 15kg para um adulto de 1,7m — foi relacionado a um aumento de 25% no risco daqueles que foram avaliados entre 30 e 49 anos; 19% nos que foram medidos dos 50 aos 59; 14% nos que reportaram o peso e a altura dos 60 aos 69, e 13% nos demais.

“Esses resultados indicam que o excesso de peso pode aumentar a ocorrência de óbitos por câncer pancreático mais do que pensávamos anteriormente. As gerações mais jovens estão chegando à meia-idade muito mais pesadas que as anteriores”, nota. Para o pesquisador, a obesidade explicará um risco aumentado dessa doença no futuro. “Estimamos que 28% dos óbitos por câncer de pâncreas em americanos nascidos entre 1970 e 1974 serão atribuídos ao excesso de peso, comparado a apenas 15% no caso daqueles nascidos em 1930, quando era muito menos provável ser obeso na meia-idade”, diz. O médico ressalta que a pesquisa indica a necessidade de prevenir o acúmulo de gordura em crianças e adultos para reverter os aumentos recentes nas taxas desse tipo de tumor.

Fonte: Correio Braziliense

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