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Fibrose e a atuação da fisioterapia

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Fibroses são tecidos formados em decorrência de uma lesão estrutural.
Em uma cirurgia, por exemplo, o organismo se mobiliza para recuperar o dano causado, preenchendo os espaços com fibrose.

As fibroses caracterizam-se pela presença de tecido cicatricial e a quantidade de tecido pode variar muito, sempre de acordo com a intensidade do trauma, apresentam conteúdo rico em colágeno (por isso são tão resistentes). Apesar de serem formadas pelo famoso colágeno, o que compõe a fibrose é bastante diferente do colágeno normal. O colágeno cicatricial é muito mais rígido, o que atrapalha o metabolismo tecidual levando a acúmulo de líquidos, aderências, perda da mobilidade da pele adjacente, dor e aparência inestética.

Frequentemente levam à formação de contraturas que poderão limitar a função do indivíduo. Fibroses são características presentes em pós operatórios de cirurgias plásticas. Elas são "normais" durante o período de cicatrização, fazem parte da cicatrização, porém, não devem ser consideradas parte do resultado da final da cirurgia, devendo ser encaradas como alterações estéticas e funcionais, sendo portanto, cabíveis de tratamento fisioterapêutico.

Como deve ser o tratamento das fibroses?

A prevenção deve ser o objetivo primário da terapia. A fisioterapia dispõe de técnicas eficazes para tratamento dos tecidos em cicatrização que são utilizadas como forma de prevenção e controle da formação de fibroses.
Para o tratamento efetivo, é preciso respeitar as características do tecido cicatricial.

Um dos recursos mais efetivos para o tratamento das fibroses é a terapia manual, que atuará modificando a estrutura do colágeno cicatricial, afetando diretamente a orientação e o metabolismo da matriz extracelular (nome dado à região nos nossos tecidos composta por várias estruturas, entre elas, o colágeno). As fibras colágenas se tornam orientadas rapidamente após aplicação da tensão mecânica ? princípio básico de ação das terapias manuais. Com a evolução do processo de reparo, tecido cicatricial se encurtará e limitará a amplitude de movimento e a sua função, a menos que se interfira nesse processo.

Para tratar as fibroses, a drenagem linfática é ineficiente, uma vez que na presença da rigidez da fibrose o edema não tem como chegar ao linfático para ser absorvido. O tratamento efetivo se dá quando possibilitamos a reorganização desse colágeno, sem causar um novo trauma (pois isso faz com que as células produzam mais colágeno, piorando o quadro) e sem estimular a síntese de mais colágeno com equipamentos utilizados para estimular a cicatrização, pois no ambiente metabólico onde há tecido cicatricial, as respostas normais estão alteradas, a síntese de colágeno acontecerá de forma exagerada e o colágeno depositado será o cicatricial, não o colágeno normal. A cicatrização só deve ser estimulada quando há algum déficit no processo, como nos casos das úlceras ou deiscências.

Tratamentos inadequados ou terapias agressivas podem levar a fibroses resistentes e de difícil resolução.
Alguns procedimentos terapêuticos utilizados na oncologia como a radioterapia, formam fibroses bastante rígidas na pele e estas fibroses devem ser tratadas precocemente, mesmo quando ainda não totalmente instaladas. Os exercícios terapêuticos devem ser incorporados ao tratamento para prevenção e resolução do quadro, além da terapia manual adequada.

Baseado em evidência : pesquisas recentes na área reparo x tensão

Nos últimos cinco anos, diversas pesquisas sobre o tema têm sido publicadas, esclarecendo muitos dos efeitos da aplicação da tensão em tecidos cicatriciais.

Hoje já sabemos que a aplicação da tensão adequada favorece a reorganização do colágeno cicatricial, há pouco tempo, utilizávamos somente bases e estudos relacionados. Hoje, conhecemos os tipos de tensões e seus efeitos, sabemos os fatores que alteram o metabolismo da matriz extracelular, os tipos de carga mecânica e também sabemos que para alcançarmos os efeitos desejados, é importante respeitar as variáveis como tipo de carga, duração da carga e intensidade da carga.

Exercícios de alongamento e movimentos ativos também são fundamentais para que se alcance a funcionalidade. Mas não podemos esquecer que também aqui é preciso respeitar as características dos tecidos cicatriciais. Muita tração pode provocar microtraumas e incentivar mais produção de colágeno.

Portanto, a terapia manual (que deve ser adaptada aos tecidos cicatriciais respeitando-se sua característica), movimentos terapêuticos e alongamentos controlados são os recursos mais efetivos para o tratamento das fibroses.
Lembrando aos pacientes: pós cirurgia plástica não é estética. É reabilitação. Procure um profissional fisioterapeuta para realizar seu acompanhamento pós cirúrgico. Não brinque com sua saúde.

Mariane Altomare
Mestre em Biologia Humana e Experimental pela UERJ
Pós graduada em Fisioterapia Dermatofuncional
Colaboradora no Laboratório de Reparo Tecidual UERJ
Vice presidente da ABRAFIDEF Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional
Coordenadora da Câmara Técnica de Fisioterapia Dermatofuncional do Crefito 2.
www.marianealtomare.com

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