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Síndrome do Ombro caído ou doloroso -Lesão do Nervo Acessório em Câncer de Cabeça e Pescoço

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O câncer de cabeça e pescoço representa em média cerca de 5% de todos os tipos de cânceres no Brasil e, dependendo do estágio da doença no momento do tratamento, a mortalidade em cinco anos pode chegar a 50% (INCA, 2012).

Os locais mais comuns incluem: cavidade oral, faringe, cavidade nasal e seios paranasais, laringe e tireóide. Segundo estudos epidemiológicos, os maiores fatores de risco são o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. Exposições ambientais (ocupacionais, poluição, ambiente doméstico), deficiências nutricionais também podem aumentar significativamente o risco.

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço em geral consiste em cirurgia ou radioterapia nos estágios iniciais, e o tratamento combinado pode ser utilizado em casos mais avançados. O comprometimento dos linfonodos regionais é um dos indicativos prognósticos mais importantes nos pacientes de cabeça e pescoço.

O esvaziamento cervical (retirada dos linfonodos na região do pescoço) é o procedimento cirúrgico mais utilizado, podendo ser realizado de forma radical ou modificado. O esvaziamento cervical radical compreende a retirada de tecido linfático do pescoço, além de algumas estruturas amplamente ligadas às cadeias linfáticas cervicais como o músculo esternocleidomastóideo, veia jugular interna e o nervo espinhal acessório (XI par craniano), já o modificado preserva algumas dessas estruturas de importância funcional para o pescoço.

Em cirurgias de esvaziamento cervical a estrutura nervosa freqüentemente manipulada e lesada é o Nervo Acessório, tendo como sequela a paralisia do músculo trapézio. À essa alteração damos o nome de Síndrome do Ombro Caído, que caracteriza-se por um quadro clínico constituído por dor e limitação dos movimentos do ombro.

A dor é atribuída ao tracionamento excessivo suportado pelos outros músculos não lesionados, tais como rombóides e elevador da escápula.

A Síndrome do Ombro Caído resulta em atrofia do músculo trapézio, mudando a posição da escapula e reduzindo a funcionalidade da cintura escapular, principalmente nos movimentos de elevação do braço para frente e para o lado.

Alguns ramos do plexo cervical também podem ser ressecados durante o esvaziamento cervical, prejudicando o equilíbrio das articulações do ombro (glenoumeral) e das costas (escapulo-torácica), causando dor e prejuízo funcional nas habilidades acima da cabeça.

A fisioterapia busca reinserir tais indivíduos ao convívio social através do restabelecimento da funcionalidade perdida, melhorando sua qualidade de vida, reduzindo o quadro álgico, minimizando o desconforto, bem como aumentando a funcionalidade da cintura escapular e do membro superior acometido

A fisioterapia é indicada no pós-operatório, com o objetivo de manter a amplitude de movimento do ombro, promover treinamento e aumento de força aos músculos que compensarão o déficit causado pela lesão do nervo acessório ao músculo trapézio.

Para evitar a reação de aderência e fibrose, devem-se iniciar precocemente movimentos mais passivos (realizados pelo fisioterapeuta) do que ativos (realizados pelo próprio paciente). O motivo da movimentação passiva é assegurar a movimentação freqüente das camadas sinoviais adjacentes, evitando seu contato prolongado e, portanto, a aderência das superfícies inflamadas.

O trabalho de fortalecimento é de primordial importância para o tratamento das disfunções do ombro causadas pelo dano ao nervo acessório. Um programa de exercícios de resistência focado nos músculos rombóides e elevador da escápula podem melhorar a postura, a amplitude de movimento do ombro e diminuir a dor.

Luana Dias de Oliveira, Fisioterapeuta do CEPON/SC – Centro de Pesquisas Oncológicas.
Mirella Dias , Fisioterapeuta e Coordenadora do Serviço de Reabilitação do CEPON/SC – Centro de Pesquisas Oncológicas.
Doutoranda em Ciências Médicas - UFSC

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