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Metátese e evolução

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A despeito do longo e intenso esforço de cientistas em todo o mundo, o câncer ainda representa um grande desafio para a medicina. Milhões de dólares já foram e ainda são investidos na pesquisa sobre o câncer na esperança de que a melhor compreensão sobre o funcionamento dessas células desgarradas possa sugerir estratégias para o seu controle. Atualmente, a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são os métodos mais comuns de tratamento, mas todos são ainda muito agressivos e, de certo modo, limitados em sua eficácia. A cirurgia, por exemplo, só é viável quando os tumores estão localizados em uma região bem delimitada, que permita sua extirpação integral. A quimioterapia e a radioterapia têm a grande desvantagem de não distinguirem células tumorais das normais, o que fica claro naqueles pacientes que sofrem com efeitos colaterais severos (queda de cabelo, náusea intensa e profundo mal­estar).

O grande desafio no tratamento do câncer é a metástase, isto é, a disseminação das células tumorais, que deixam o tumor primário e colonizam tecidos distantes, criando novos focos da doença. É a metástase que, em última análise, mata, pois acaba comprometendo vários órgãos ao mesmo tempo. Não surpreende, portanto, que mais de 90% das mortes por câncer se devam à metástase.

Afora essa descrição bastante sombria e desalentadora do câncer, a essência fisiológica da célula tumoral apresenta-­se, para o pesquisador interessado no tema, como um fascinante mistério, que tange praticamente todas as especialidades das ciências biomédicas. As perguntas que cercam esse enigma são: por que alguns tumores têm alta probabilidade de formar metástases, enquanto outros quase nunca o fazem? Por que alguns tipos de tumor têm atração (tropismo) por certos tecidos? De que maneira as células metastáticas sobrevivem ao estresse gerado dentro do próprio tumor primário (redução do oxigênio e escassez de nutrientes)? Que mecanismos são usados pelas células metastáticas para invadir os tecidos? De que modo as células metastáticas evadem o controle exercido pelo sistema imune? Respostas parciais têm sido obtidas. Mas, em geral, quanto mais as células metastáticas são estudadas, mais interessantes ficam.

Em estudo publicado recentemente na revista Nature, Hoshino e colaboradores mostraram que, antes de as células tumorais se dissociarem do tumor primário, elas liberam na circulação sanguínea e/ou linfática pequenos fragmentos das suas próprias membranas, os chamados exosomas, que agem como se estabelecessem o caminho a ser seguido pelas futuras células metastáticas em direção aos tecidos que elas oportunamente invadirão. No entanto, ainda não se sabe quais são os mecanismos usados pelos exosomas para informar às células metastáticas o itinerário de sua viagem iminente.

Outro trabalho também publicado na Nature, assinado por Osswald e colaboradores, revelou um aspecto intrigante de células tumorais de astrocitomas (que causam tumor de cérebro). Elas têm a capacidade de projetar longas extensões de suas membranas citoplasmáticas, formando microtubos que infiltram o tecido normal do cérebro. Estes então transmitem informações químicas e até núcleos celulares a células cerebrais normais, determinando, assim, as rotas para a invasão do órgão. Curiosamente, os autores mostraram também que somente as células que logravam estabelecer contato com as outras por meio da rede formada pelos microtubos se tornavam resistentes à radioterapia.

Como parte das conclusões mais gerais, os autores sugeriram que os tumores se comportam como órgãos complexos e, para se transformar em metastáticas, as células parecem sequestrar mecanismos altamente coordenados semelhantes àqueles que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário normal. Levando em conta essa visão, é inescapável a percepção de que talvez estejamos testemunhando em tempo real o processo evolutivo propriamente dito. Os tumores de hoje talvez sejam as células de tecidos normais de indivíduos de novas espécies que surgirão no futuro

Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
http://assinaturadigital.cienciahoje.org.br/revistas/reduzidas/332/

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